6º Conferência Audiovisual

Audiovisual brasileiro: uma agenda para o próximo ciclo

A Conferência do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro se consolidou, ao longo de suas edições, como o espaço onde o setor audiovisual brasileiro para, discute e aponta rumos para o cinema nacional. Em 2026, essa reflexão acontece num momento particular: às vésperas das eleições federais e estaduais que vão definir o próximo ciclo de governos no país, com todas as tensões e incertezas que esse momento político impõe ao setor cultural. É justamente nesse cenário que os limites e horizontes das políticas para o desenvolvimento da indústria audiovisual devem ser foco de programas de governo no próximo ciclo.

Construir essa agenda exige olhar para um setor que combina um momento de grande reconhecimento e visibilidade com desafios estruturais ainda por enfrentar. O cinema brasileiro segue enfrentando dificuldades para encontrar seu próprio público e fortalecer seu mercado interno, enquanto o mercado exibidor demanda novas estratégias para sua sustentabilidade e expansão. Ao mesmo tempo, o avanço da inteligência artificial e as transformações tecnológicas aprofundam as disputas globais em torno da economia digital do audiovisual. Em um país que ainda não estabeleceu um marco regulatório para o VOD, questões como direitos, concentração econômica e soberania ganham ainda maior relevância e colocam em debate o posicionamento do Brasil nesse cenário de disputas globais. E, dado o tamanho e a complexidade do país, a política para o audiovisual brasileiro só se sustenta se pensada de forma federativa, com papéis claros para estados e municípios e estratégias bem definidas de fortalecimento dos polos audiovisuais nacionais.

É nesse contexto que o reconhecimento e a visibilidade internacional alcançados pelo cinema brasileiro ganham uma dimensão estratégica. Mais do que celebrar esse protagonismo, o desafio é transformá-lo em impulso para o desenvolvimento da indústria e para a construção de uma agenda pública capaz de enfrentar seus desafios estruturais. É esse o compromisso da Conferência: contribuir para responder a uma pergunta central: qual deve ser a agenda pública central do cinema e do audiovisual para governantes e legisladores no próximo ciclo?

Confira a programação e atividades

A Conferência Audiovisual FBCB 2026 acontecerá nos dias 14 e 15 de setembro, com uma palestra magna de abertura e painéis temáticos. Ao longo dos dois dias, a programação abordará questões centrais para o futuro do audiovisual brasileiro, da relação com o público e do desenvolvimento da indústria às transformações da economia digital, às disputas globais e à articulação federativa, buscando contribuir para a construção de uma agenda pública para o próximo ciclo de governos.

Painel 1 - Não há indústria sem audiência: como fortalecer o mercado interno do audiovisual brasileiro

14 de setembro às 14h | Área de Convivência no Cine Brasília

Participantes Confirmados: Tata Amaral, Rodrigo Siqueira, Anna Muylaert, Nilson Rodrigues

O cinema brasileiro vive um momento de reconhecimento e expansão de sua produção, mas essa visibilidade ainda não se traduz na mesma proporção em seu mercado interno, onde o market share dos filmes nacionais permanece abaixo de 10%. Como transformar produção em circulação, circulação em audiência e audiência em um mercado mais forte para as obras brasileiras? O painel buscará identificar quais políticas e estratégias precisam ser priorizadas no próximo ciclo para ampliar a presença do cinema brasileiro junto ao público, fortalecer seu mercado interno e fazer da audiência uma dimensão central da política de desenvolvimento da indústria.

Conferência convida: Antônio Pitanga e os caminhos do cinema brasileiro

Segunda dia 14 de setembro às 15h30

Antônio Pitanga (Antônio Luiz Sampaio, Salvador, 1939) é uma das figuras fundadoras do Cinema Novo e um dos primeiros atores negros a protagonizar o cinema brasileiro. Em mais de seis décadas de carreira, atravessou e ajudou a moldar as disputas sobre quem tem lugar diante e detrás das câmeras no país. Neste depoimento, revisita sua trajetória e conecta décadas de resistência e protagonismo negro no audiovisual ao debate que atravessa a Conferência: qual agenda pública o país precisa construir para que o cinema siga avançando.

Painel 2 — Que indústria queremos? Uma agenda para desenvolver o audiovisual brasileiro

14 de setembro às 16h | Área de Convivência no Cine Brasília

Participantes Confirmados: Sabrina Nudeliman Wagon, Jorge Peregrino, Juca Ferreira, Mariza Leão, Marina Rossato

Que indústria audiovisual queremos construir no Brasil e o que é necessário para chegar até ela? O desenvolvimento do setor exige ir além da ampliação da produção e transformar estratégias em ações concretas capazes de fortalecer empresas, ampliar investimentos, gerar empregos, estimular inovação e aumentar a capacidade competitiva do audiovisual brasileiro. O painel discutirá quais políticas, instrumentos e prioridades podem transformar uma agenda de desenvolvimento em resultados concretos para a indústria no próximo ciclo.

Painel 3 - FILM COMMISSIONS: AUDIOVISUAL, ECONOMIA E TERRITÓRIO

15 de setembro às 10h | Área de Convivência no Cine Brasília

Participantes Confirmados:
Thaylane Cristina – Gestora da Belo Horizonte Film Commission
Joana Braga – Coordenadora da Porto Alegre Film Commission
Daniel de Paula – Coordenador da Fortaleza Film Commission
Júnior Ribeiro – Presidente da Brasília Film Commission

Mediação
Gabriel Portela – Especialista em Políticas Públicas para o Audiovisual

As Film Commissions como política pública de desenvolvimento econômico, cultural e turístico. A mesa reúne experiências de Belo Horizonte, Porto Alegre, Fortaleza e Rio de Janeiro para discutir como a organização institucional da atividade audiovisual, a atração de produções e o turismo cinematográfico podem transformar o audiovisual em vetor de geração de emprego, renda e investimentos, além de promover os territórios. A partir dessas experiências, o debate abordará o papel estratégico da Brasília Film Commission na consolidação do Distrito Federal como polo de produção audiovisual e destino de turismo cinematográfico, bem como as perspectivas de articulação das Film Commissions brasileiras no contexto da construção de uma política nacional para o setor.

Painel 4 — Disputas globais, IA e a economia digital do audiovisual: quem regula, quem decide, quem fica para trás

15 de setembro às 14h | Área de Convivência no Cine Brasília

Participantes Confirmados: Pedro Tinen, Célia Catunda, Ernesto Tzirulnik

Quem define hoje as regras da economia global do audiovisual? O avanço da inteligência artificial e as transformações tecnológicas aprofundam disputas que envolvem plataformas, governos, empresas e criadores, colocando no centro questões como regulação, direitos, concentração econômica e soberania. Em um Brasil que ainda não estabeleceu um marco regulatório para o VOD, o painel discutirá como o país pode fortalecer sua capacidade de decisão e qual posição deve assumir nas disputas que estão redefinindo o futuro do audiovisual.

Painel 5 — Local e global: uma estratégia integrada para o audiovisual brasileiro

15 de setembro às 16h | Área de Convivência no Cine Brasília

Participantes Confirmados: Pola Ribeiro, Tiago de Aragão, André Saddy, Aleques Eiterer

Como transformar a diversidade de polos audiovisuais brasileiros em uma estratégia integrada de desenvolvimento? O fortalecimento do setor passa pela capacidade de articular União, estados e municípios, conectar diferentes territórios e criar instrumentos que estimulem a cooperação e as coproduções regionais. O painel discutirá quais políticas e estratégias podem orientar o próximo ciclo para transformar essa diversidade territorial em uma força para ampliar mercados, investimentos e circulação de obras, fortalecendo também a inserção internacional do audiovisual brasileiro.
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