A Conferência do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro se consolidou, ao longo de suas edições, como o espaço onde o setor audiovisual brasileiro para, discute e aponta rumos para o cinema nacional. Em 2026, essa reflexão acontece num momento particular: às vésperas das eleições federais e estaduais que vão definir o próximo ciclo de governos no país, com todas as tensões e incertezas que esse momento político impõe ao setor cultural. É justamente nesse cenário que os limites e horizontes das políticas para o desenvolvimento da indústria audiovisual devem ser foco de programas de governo no próximo ciclo.
Construir essa agenda exige olhar para um setor que combina um momento de grande reconhecimento e visibilidade com desafios estruturais ainda por enfrentar. O cinema brasileiro segue enfrentando dificuldades para encontrar seu próprio público e fortalecer seu mercado interno, enquanto o mercado exibidor demanda novas estratégias para sua sustentabilidade e expansão. Ao mesmo tempo, o avanço da inteligência artificial e as transformações tecnológicas aprofundam as disputas globais em torno da economia digital do audiovisual. Em um país que ainda não estabeleceu um marco regulatório para o VOD, questões como direitos, concentração econômica e soberania ganham ainda maior relevância e colocam em debate o posicionamento do Brasil nesse cenário de disputas globais. E, dado o tamanho e a complexidade do país, a política para o audiovisual brasileiro só se sustenta se pensada de forma federativa, com papéis claros para estados e municípios e estratégias bem definidas de fortalecimento dos polos audiovisuais nacionais.
É nesse contexto que o reconhecimento e a visibilidade internacional alcançados pelo cinema brasileiro ganham uma dimensão estratégica. Mais do que celebrar esse protagonismo, o desafio é transformá-lo em impulso para o desenvolvimento da indústria e para a construção de uma agenda pública capaz de enfrentar seus desafios estruturais. É esse o compromisso da Conferência: contribuir para responder a uma pergunta central: qual deve ser a agenda pública central do cinema e do audiovisual para governantes e legisladores no próximo ciclo?
A Conferência Audiovisual FBCB 2026 acontecerá nos dias 14 e 15 de setembro, com uma palestra magna de abertura e painéis temáticos. Ao longo dos dois dias, a programação abordará questões centrais para o futuro do audiovisual brasileiro, da relação com o público e do desenvolvimento da indústria às transformações da economia digital, às disputas globais e à articulação federativa, buscando contribuir para a construção de uma agenda pública para o próximo ciclo de governos.