Nesta edição, os Filmes de Abertura reúnem obras que colaboram para a construção de um retrato amplo, plural e complexo não só do cinema brasileiro, mas também do Brasil.
São filmes que atravessam diferentes tempos da nossa história, do passado mais remoto a possíveis futuros, e investigam marcas fundamentais da formação do país, colocando em cena suas contradições, lacunas, injustiças e transformações.
A seleção também revela a dimensão nacional do Festival. As obras vêm de diferentes estados, representando as cinco regiões do Brasil. Embora essa diversidade geográfica não tenha sido um critério prévio da curadoria, sua presença logo na abertura reafirma a vocação do Festival de Brasília: estar no centro do país para reunir, amplificar e colocar em diálogo diferentes olhares sobre o Brasil.
Nas telas e fora delas, os Filmes de Abertura apresentam um cinema feito de múltiplos territórios, experiências e perspectivas. Um conjunto que ajuda a compreender a diversidade do audiovisual brasileiro e, ao mesmo tempo, a complexidade do país que ele escolhe olhar.
São Paulo, 1966. Desde 1988, realizou 30 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens, em 16 mm, 35 mm e digital. Doutor em Estudo dos Meios e da Produção Mediática pela USP, com pós-doutorados em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e em Meios e Processos Audiovisuais (USP). Sua obra é tema de capítulos nos livros The Sublimity of document: cinema as diorama (avant-doc 2), de Scott MacDonald (2019) e Cine Subaé: escritos sobre cinema (1960-2023), de Caetano Veloso (2024).
12 de setembro (sábado)
18h na Sala 2 – Cine Cultura Liberty Mall
Ensaio poético sobre as im/possibilidades de se fazer uma tradução cinematográfica brasileira de Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust (1871-1922), obra escrita de 1906 a 1922 e publicada de 1913 a 1927, marco radical da modernidade literária.
Direção, produção, direção de fotografia, roteiro, animação, desenho de som, trilha sonora e montagem: Carlos Adriano
Nasceu no Rio de Janeiro em 1941. Produziu Um homem e o cinema, de Alberto Cavalcanti (1975). Realizou Os Doces Bárbaros (1978), Corações a mil (1983), O Judeu, melhor filme no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro 1996. Foi produtor-delegado de coproduções afro-ibero-americanas em Estorvo, de Ruy Guerra (1989), superintendente de assuntos internacionais da Ancine (2002/07). Codiretor de Elis & Tom (2024), vencedor do Prêmio Grande Othelo.
13 de setembro (domingo)
18h na Sala 2 – Cine Cultura Liberty Mall
Documentário sobre Flora Purim e Airto Moreira, casal que marcou o panorama da música a partir dos anos 1970 como pioneiros do movimento da jazz-fusion, em cenas de hoje transbordantes de emoção.
Direção e produção: Jom Tob Azulay
Roteiro: Vinicius Nascimento e Jom Tob Azulay
Direção de fotografia: Luis Abramo
Montagem: Vinicius Nascimento
Direção musical: Ricardo Bacelar
Produtora: AEB Produções
Cineasta, presidente do Instituto Audiovisual Mulheres de Odun, programadora do Cine Lankiana, diretora do Programa de Residência Artística Audiovisual iAMO e membro-titular do Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual. É diretora e roteirista dos filmes Pessoas contar para viver (2019), Um dia com Jerusa (2020), Ó paí ó 2 (2023), Afrolatinas: mulheres negras em movimentos (2026) e Família de sorte (distribuição prevista para 2026).
15 de setembro (terça-feira)
18h na Sala 2 – Cine Cultura Liberty Mall
O filme investiga os desdobramentos do marco histórico de 1992 na República Dominicana, que instituiu o Dia da Mulher Afro Latino-Americana e Caribenha. A narrativa acompanha trajetórias que entrelaçam a criação da data a conquistas políticas.
Direção e roteiro: Viviane Ferreira
Direção de fotografia: Fydell Botti
Direção de arte: Francine Moura
Produção executiva: Bruna Anjos
Trilha sonora e edição de som: Higo Melo
Montagem: Willem Dias
Argumento: Jaqueline Fernandes
Animação: Lucia Gambelli
Produtora: Odun Filmes
São moradores do Bairro Nacional, Contagem (MG). Desali é formado em Artes Plásticas pela Escola Guignard (UEMG) e Rafael está estudando Artes Plásticas na mesma instituição. Dirigiram o longa Para os guardados, premiado pelo Júri Jovem na Mostra Aurora do Festival de Cinema de Tiradentes em 2026. Também dirigiram o curta-metragem Estudo para uma pintura: O lavrador de café, selecionado para importantes festivais e mostras de cinema, como o 26ª FestCurtas BH e o 31ª FIC Valdivia.
16 de setembro (quarta-feira)
18h na Sala 2 – Cine Cultura Liberty Mall
Na periferia do bairro Nacional, em Contagem, Fael da A.P.N. carrega kits Jumbo até familiares de amigos encarcerados. No caminho, reencontra vozes, memórias e companheiros que compartilham suas vivências, dores e estratégias diante do sistema.
Direção, roteiro, direção de arte, direção de fotografia, montagem e figurino: Desali e Rafael Rocha
Edição de som: Lucas Morais
Elenco: Fael, Pablo, Wederson, WPS, Monstrinho, Valente, CJ, Sup, Elsin, Aline, Moises, Dona Geni e Marlin
Produtora: Embaúba
Mais conhecido como Marcelo Guarani, é uma importante liderança guarani, fundador da aldeia Ka´agwi Porã, localizada em Aracruz (ES), onde vive com seus parentes, promovendo a conservação ambiental e cultural. Em 2012, participou do projeto Olhares do Mundo, do Instituto Parceiros do Bem, que teve como resultado o curta-metragem Mimby Marae'y (A Flauta Sagrada). Em 2013, idealizou e codirigiu (com Ricardo Sá) o curta-metragem Reikwaapa, premiado no Festival de Cinema de Vitória.
17 de setembro (quinta-feira)
18h na Sala 2 – Cine Cultura Liberty Mall
Ela caminhou 35 anos desde o Rio Grande do Sul até o Espírito Santo, guiada por uma revelação espiritual. Entre memória familiar, espiritualidade e luta pelo território, o filme revela o legado de uma mulher cuja história continua a inspirar gerações.
Direção: Werá Djekupé (Marcelo Guarani)
Roteiro: Fernanda Keretxu, Werá Djekupé (Marcelo Guarani), com colaboração de Wera Kwaray (Toninho Guarani), Tupã Kwaray (Jonas Ernesto da Silva), Keretxu Endy (Marilza da Silva), Yry (Ivanilda Carvalho dos Santos), Tatatxi Ywarete (Joana Carvalho da Silva), Djatxuka (Tereza da Silva de Oliveira) e Mario Cézar Carvalho (Werá Kambu)
Fotografia: Matheus Costa
Trilha sonora: Taís Lobo e Coral Guarani Tape Retxakã – Aldeia Ka´agwi Porã
Edição de som: Fepas
Montagem: Taís Lobo
Elenco: Tatatxi Ywarete (Maria Candelária), Wera Kwaray (Toninho Guarani), Tatatxi Ywarete (Joana Carvalho da Silva), Tupã Kwaray (Jonas Ernesto da Silva), Wera Kambu (Mário Cezar Carvalho), Werá Djekupé (Marcelo Oliveira da Silva), Keretxu Endy (Marilza da Silva), Djatxuka (Tereza da Silva Oliveira) e Yry (Ivanilda Carvalho dos Santos)
Produtora: Interferências Filmes