Confira a lista de premiados da 54ª edição do Festival de Brasília

A 54ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro transmitiu sua cerimônia de encerramento em formato virtual na noite desta terça (14), na plataforma play.innsaei.tv. Apresentada por Murilo Rosa e Maria Paula Fidalgo, a cerimônia distribuiu 46 Troféus Candangos, dois troféus especiais de parceiros e prêmios técnicos às equipes dos 28 filmes selecionados nas Mostras Competitiva e Brasília. E a boa notícia é que quem não assistiu aos títulos premiados como Melhores Filmes pelos Júris Oficial e Popular, pode assistir às exibições especiais até às 23h59 do dia 16 de dezembro (quinta),  na plataforma play.innsaei.tv. Conheça os prêmios da noite:

Saudade do Futuro

Saudade do Futuro, filme de estreia-solo na direção de longas de Anna Azevedo, foi o grande vencedor do prêmio de Melhor Longa pelo Júri Oficial. A obra explora a ligação entre Portugal, Brasil e Cabo Verde pelo mar e a cultura da saudade.

Alice dos Anjos de Daniel Leite Almeida teve resultado arrebatador na premiação do festival, conquistando seis Candangos – Melhor Filme pelo Júri Popular e Prêmio Abraccine, Melhor Direção, Maquiagem para Claudia Riston, Figurino para Lívia Liu e Direção de Arte para Luciana Buarque. Filmada em Vitória da Conquista, a obra infanto-juvenil transporta a fantasia de Alice de Lewis Carroll ao contexto do sertão nordestino, tendo a menina Alice dos Anjos como personagem de uma saga conduzida por personagens improváveis. 

Ela e Eu, longa de Gustavo Rosa de Moura – que traz Andréa Beltrão na personagem Bia em plena recuperação após acordar de coma de 20 anos – levou três Candangos: Melhor Atriz para Andréa Beltrão, Melhor Ator para Eduardo Moscovis, e Melhor Roteiro, assinado pelo diretor, a protagonista e Leonardo Levis.

Andréa Beltrão em Ela e Eu

De Onde Viemos, Para Onde Vamos, filme de Rochane Torres que deflagra resistência e conflitos de identidade do povo Iny, habitante da Ilha do Bananal, levou Melhor Som, por Paulo Gonçalves, Melhor Filme Com Temática Afirmativa e ainda recebeu menção honrosa do júri da Abraccine. Acaso, de Luís Jungmann Girafa, venceu Melhor Montagem – de Juana Salama, e Lavra de Lucas Bambozzi ganhou Melhor Fotografia  – de Bruno Risas , além de menção honrosa do júri, composto pelo produtor Marcus Ligocki, a diretora Emília Silveira e a diretora-presidente da SPCine Viviane Ferreira.

Entre os curta-metragens vencedores na Mostra Competitiva Nacional, Chão de Fábrica, de Nina Kopko – sobre a convivência de operárias em São Bernardo do Campo nos anos 1979 – conquistou cinco Candangos, entre eles o de Melhor Curta pelo Júri Oficial, Melhor Direção, Melhor Atriz para Joana Castro, Melhor Montagem para Lis Paim e Melhor Figurino para Gabriella Marra. O prêmio de Melhor Ator foi entregue a Sebastião Pereira de Lima, mestre Martelo do cavalo-marinho pernambucano, documentado em Da Boca da Noite à Barra do Dia, de Tiago Delácio. O filme levou também o prêmio de Melhor curta-metragem pelo Júri Popular, acompanhado de prêmio técnico da Naymovie e CiaRio valorado em R$ 15.000,00.

Adão, Eva e o Fruto Proibido de R.B Lima levou os prêmios de Melhor Roteiro pelo Júri Oficial e Melhor Curta-Metragem pelo júri da Abraccine. Como respirar fora d’água, de Júlia Fávero e Victoria Negreiros, conquistou o Candango de Melhor Som e o Troféu Canal Brasil, entregue ao melhor curta segundo júri técnico do canal. Dani Drumond levou Melhor Fotografia por Cantareira; Rodrigo Lélis ganhou Melhor Direção de Arte por Filhos da Periferia; e Vinne Negrão venceu Melhor Maquiagem por Sayonara

Era uma Vez… Uma Princesa, de Lisiane Cohen, levou o Prêmio de Melhor Curta com Temática Afirmativa; Ocupagem, de Joel Pizzini, recebeu o Prêmio Marco Antônio Guimarães, concedido pelo CPCB ao filme que melhor utiliza material de memória, pesquisa e arquivos do cinema brasileiro; e Terra Nova recebeu o Prêmio Cosme Alves Netto, entregue pela Anistia Internacional ao filme que mais se aprofunda nas agendas de direitos humanos. Durante a premiação, as atrizes da obra, Karol Medeiros e Isabela Catão, receberam menção honrosa do júri, composto pelo jornalista e crítico Marcelo Janot, a montadora e roteirista Karen Black, e a produtora audiovisual Anamaria Mühlenberg.


Conheça os resultados da Mostra Brasília

O longa Acaso, de Luís Jungmann Girafa e o curta Benevolentes, de Thiago Nunes, venceram os prêmios de Melhor Filme pelo Júri Oficial da Mostra Brasília, levando também os prêmios técnicos da Naymovie e CiaRio, nos valores de R$ 25.000,00 e R$ 10.000,00, respectivamente. 

Advento de Maria, de Vinícius Machado, impressionou ao retratar a história de uma menina transgênero de 11 anos buscando sua identidade, vencendo cinco prêmios: Melhor Longa pelo Júri Popular, Melhor Roteiro, Melhor Atriz para a jovem Maria Eduarda Maia, Melhor Maquiagem para Alzira Bosaipo e Melhor Figurino para Tiago Nery. A Casa do Caminho de Renan Montenegro venceu Melhor Curta pelo Júri Popular e Melhor Filme com temática afirmativa da mostra. 

Noctiluzes de Jimi Figueiredo e Sérgio Sartório levou os prêmios de Melhor Direção e Melhor Ator, dividido este ano entre os três protagonistas, interpretados por André Deca, Chico Sant’Anna e Vinícius Ferreira. O curta Cavalo Marinho de Gustavo Serrate venceu Melhor Fotografia; Filhos da Periferia, de Arthur Gonzaga, levou Melhor Direção de Arte por Rodrigo Lelis; e Hudson Vasconcelos ganhou Melhor Som por Ele tem Saudade, de João Campos.

O Mestre da Cena, de João Inácio, sobre o ator e diretor Gê Martú, venceu prêmio de Melhor Montagem, e Gê foi laureado com o Troféu Saruê, concedido pela equipe do caderno de cultura do Correio Braziliense ao “acontecimento” de cada edição do festival. Vírus, de Larissa Mauro e Joy Ballard recebeu menção honrosa do júri, composto pela curadora Fabiana de Assis, a diretora e montadora Adriana de Andrade, e o diplomata, crítico e professor de audiovisual João Lanari Bo.

A 54ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro foi realizada pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF em parceria com a Associação Amigos do Futuro e apoio do Canal Brasil, InnSaei.TV, Naymovie e CiaRio. 

Filmes premiados ganham exibições especiais na Innsaei

A boa notícia para quem não conseguiu acompanhar o Festival de Brasília é que os filmes vencedores nas categorias Júri Popular e Júri Oficial seguem em cartaz gratuitamente na plataforma play.innsaei.tv até às 23h59 do dia 16 de dezembro (quinta-feira). Assista agora a Saudade do Futuro, Alice dos Anjos, Chão de Fábrica, Da Boca da Noite à Barra do Dia, Advento de Maria, Acaso, Benevolentes e A Casa do Caminho.

Veja a lista completa de premiados da noite:

Mostra Competitiva – Longas

Melhor Longa Júri Oficial 
Saudade do Futuro, de Anna Azevedo

Melhor Longa Júri Popular 
Alice dos Anjos, de Daniel Leite Almeida

Melhor Direção
Daniel Leite Almeida, por Alice dos Anjos

Melhor Atriz
Andréa Beltrão, por Ela e Eu

Melhor Ator
Eduardo Moscovis, por Ela e Eu

Melhor Fotografia
Bruno Risas, por Lavra

Melhor Roteiro
Gustavo Rosa de Moura, Leonardo Levis e Andréa Beltrão, por Ela e Eu

Melhor Direção de Arte
Luciana Buarque, por Alice dos Anjos

Melhor Montagem
Juana Salama, por Acaso

Melhor Som
Paulo Gonçalves, por De Onde Viemos, Para Onde Vamos

Menção honrosa do Júri
Ao filme Lavra, de Lucas Bambozzi

Melhor Caracterização – Maquiagem
Claudia Riston, por Alice dos Anjos

Melhor Caracterização – Figurino
Lívia Liu, por Alice dos Anjos

Melhor Filme com Temática Afirmativa
De Onde Viemos, Para Onde Vamos, de Rochane Torres

Júri da Mostra Competitiva – Longas:  composto pelo produtor Marcus Ligocki, a diretora Emília Silveira e a diretora-presidente da SPCine Viviane Ferreira.

Mostra Competitiva – Curtas

Melhor Curta Júri Oficial
Chão de Fábrica, de Nina Kopko

Melhor Curta Júri Popular + Prêmio Edina Fujii – CiaRio: 15.000 reais em aluguel de equipamentos de luz, acessórios e maquinários concedidos pela Naymovie, em parceria com a CiaRio
Da Boca da Noite à Barra do Dia, de Tiago Delácio

Melhor Direção
Nina Kopko, por Chão de Fábrica

Melhor Atriz

Joana Castro, por Chão de Fábrica

Melhor Ator
Sebastião Pereira de Lima, por Da Boca da Noite à Barra do Dia

Menção honrosa do Júri
Às atrizes do filme Terra Nova, Karol Medeiros e Isabela Catão

Melhor Fotografia
Dani Drumond, por Cantareira

Melhor Roteiro
R.B Lima, por Adão, Eva e o Fruto Proibido

Melhor Direção de Arte
Rodrigo Lelis, por Filhos da Periferia

Melhor Montagem
Lis Paim, por Chão de Fábrica

Melhor Som
Bia Hong, por Como Respirar Fora D’Água

Melhor Caracterização – Maquiagem
Vinne Negrão, por Sayonara

Melhor Caracterização – Figurino

Gabriella Marra, por Chão de Fábrica

Melhor Filme com Temática Afirmativa
Era uma Vez… Uma Princesa, de Lisiane Cohen

Júri da Mostra Competitiva – Curtas:  composto pelo jornalista e crítico Marcelo Janot, a montadora e roteirista Karen Black, e a produtora audiovisual Anamaria Anamaria Mühlenberg.

Mostra Brasília – Curtas e Longas

Melhor Longa Júri Oficial + Prêmio Edina Fujii – CiaRio: 25.000 reais em aluguel de equipamentos de luz, acessórios e maquinários concedidos pela Naymovie, em parceria com a CiaRio.
Acaso, de Luís Jungmann Girafa

Melhor Curta Júri Oficial  + Prêmio Edina Fujii – CiaRio: 10.000 reais em aluguel de equipamentos de luz, acessórios e maquinários concedidos pela Naymovie, em parceria com a CiaRio.
Benevolentes, de Thiago Nunes

Melhor Longa Júri Popular 
Advento de Maria, de Vinícius Machado

Melhor Curta Júri Popular 
A Casa do Caminho, de Renan Montenegro

Melhor Direção
Jimi Figueiredo e Sérgio Sartório, por Noctiluzes

Menção honrosa do Júri
Ao filme Vírus, de Larissa Mauro e Joy Ballard

Melhor Atriz
Maria Eduarda Maia, por Advento de Maria

Melhor Ator
Chico Sant’Anna, André Deca, Vinícius Ferreira, por Noctiluzes

Melhor Fotografia
Gustavo Serrate, por Cavalo Marinho

Melhor Roteiro
Vinícius Machado, por Advento de Maria

Melhor Direção de Arte
Rodrigo Lelis, por Filhos da Periferia

Melhor Montagem
João Inácio, por O Mestre da Cena

Melhor Som
Hudson Vasconcelos, por Ele tem Saudade

Melhor Caracterização – Maquiagem
Alzira Bosaipo, por Advento de Maria

Melhor Caracterização – Figurino
Tiago Nery, por Advento de Maria

Melhor Filme com Temática Afirmativa
A Casa do Caminho, de Renan Montenegro

Júri da Mostra Brasília: composto pela curadora Fabiana de Assis, a diretora e montadora Adriana de Andrade, e o diplomata, crítico e professor de audiovisual João Lanari Bo.

Outros Prêmios


Candango pelo Conjunto da Obra 2021
Léa Garcia

Prêmio Marco Antônio Guimarães (CPCB) –  entregue ao filme que melhor utiliza material de memória, pesquisa e arquivos do cinema brasileiro.
Ocupagem, de Joel Pizzini

Prêmio Cosme Alves Netto (Anistia Internacional Brasil) – entregue ao filme exibido que mais se aprofunda nas agendas dos direitos humanos.
Terra Nova, de Diego Bauer 

Melhor Longa-Metragem da Mostra Competitiva segundo júri da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine)
Alice dos Anjos, de Daniel Leite Almeida

Melhor Curta-Metragem da Mostra Competitiva segundo júri da Abraccine
Adão, Eva e o Fruto Proibido, de R.B Lima

Menção Honrosa do júri da Abraccine
De Onde Viemos, Para Onde Vamos, de Rochane Torres

Troféu Canal Brasil – entregue ao Melhor Curta da Mostra Competitiva segundo júri técnico do Canal
Como Respirar Fora D’Água, de Júlia Fávero e Victoria Negreiros

Troféu Saruê – concedido ao “acontecimento” do festival segundo equipe do caderno de cultura do Correio Braziliense
Gê Martú

O que você vai assistir neste sábado de festival?

Foto do filme De Onde Viemos, Para Onde Vamos

Neste sábado (11), a Mostra Competitiva do Festival de Brasília estreia De Onde Viemos, Para Onde Vamos, longa filmado na Aldeia de Santa Isabel do Morro, Ilha do Bananal (TO). Por lá, a diretora Rochane Torres documenta o povo indígena Iny e seus conflitos geracionais de identidade, sobretudo entre os jovens que cada vez mais absorvem a cultura branca. Às 23h no Canal Brasil, e à 01h30 de domingo (12) na InnSaei.

Às 22h30 estreiam outros dois curtas na InnSaei: Sayonara, de Chris Tex, ficção paulista sobre uma garota planejando vingar-se de quem a traumatizou; e N.F. Trade, filme brasiliense de Thiago Foresti, explora o universo das criptomoedas e NFTs com o personagem Barreto, produtor de hortaliças que não gosta de vender por moedas convencionais.

Cena do filme Sayonara
Cena do filme N.F. Trade

Na Mostra Brasília estreiam às 20h os curtas Vírus, de Larissa Mauro e Joy Ballard, e A Casa do Caminho, de Renan Montenegro. O primeiro é motivado pela pandemia de Covid-19, e tem tom de biografia confessional e reencontro pessoal de uma das diretoras consigo. O segundo, também biográfico, fala da exaustão no processo de migração, retratando as consequências dos conflitos geopolíticos venezuelanos. Hoje é dia de estreia, também, do longa Advento de Maria, ficção de Vinícius Machado que conta a história de uma menina transgênero de 11 anos na busca por sua identidade.

ÚLTIMA CHANCE
Última chance pra assistir aos longas Ela e Eu (até 23h30) e Acaso (até 20h). Expiram também os curtas Cavalo Marinho e Filhos da Periferia (às 20h), e Como respirar fora d’água e Cantareira (às 22h30).

Homenagem a Flávio Migliaccio
Estreia hoje às 11h na mostra Festivalzinho o longa Aventuras com Tio Maneco, dirigido e protagonizado pelo mestre Flávio Migliaccio. Produção infantil de 1971 em que três crianças desbravam as selvas do Mato Grosso enfrentando contrabandistas, animais ferozes e robôs para encontrar seu avô. A exibição da cópia restaurada celebra a memória de Migliaccio, ator fundamental para a TV e o cinema brasileiros. Disponível até às 11h de domingo (12).

 

Helena Solberg

Helena Solberg

Helena Solberg é convidada para ministrar a masterclass Meu primeiro filme, neste sábado às 19h. A partir da exibição de A Entrevista (1966), seu curta de estreia, a diretora de Bananas is my business (1995), Palavra (En)cantada (2009) e Meu corpo minha vida (2017) desfila os desafios e delícias do começo da carreira de diretora. (entre na atividade)

Debates

Os tradicionais debates entre filmes exibidos nas mostras competitivas segue hoje, em duas sessões: Mostra Competitiva às 10h, reunindo equipes de Acaso, Deus me Livre e Adão, Eva e o Fruto Proibido sob mediação da jornalista Luciana Costa (entre na atividade); e Mostra Brasília às 17h, reunindo os filmes Noctiluzes, Benevolentes e Ele tem Saudade para debate mediado pela fotógrafa e professora Rose May Carneiro (entre na atividade).

O festival do pensamento em cinema

As atividades do ambiente de mercado, bem como os painéis setoriais e seminários são temperos essenciais na composição do Festival de Brasília, baseado desde sempre na formação e na pesquisa. E se você ama falar de cinema, vai ser um sábado daqueles! Hoje as atividades exploram hibridismos e pontes entre cinema e outras linguagens artísticas.

Christiane Jatahy

Em Cinema híbrido, às 10h, Sílvio Tendler entrevista a cineasta Susanna Lira, tratando das técnicas de teatro e ficção presentes em sua direção para documentários (entre na atividade). Ao meio dia, Christiane Jatahy, Daniela Thomas e Ricardo Cota debatem sobre o poder de atravessamento da imagem através das muitas artes, na atividade Arte híbrida: quando o cinema encontra o teatro (entre na atividade).

Às 14h, Cinema, outras artes e linguagens reúne Antonio Quinet, Vitor Pordeus, Livio Tragtenberg e Sílvio Tendler pra falar de pontes entre cinema e poesia, psicanálise e música (entre na atividade). Às 16h30, Rafa Sampaio, Adriana L. Dutra, Sandro Fiorin e Ilda Santiago debatem Os mercados e os festivais para o cinema brasileiro, sobre a internacionalização do nosso cinema através das exibições pelo mundo (entre na atividade).

Festival de Brasília divulga filmes selecionados para as mostras competitivas

Em 1965, o mestre Paulo Emílio Salles Gomes não poderia prever as transformações tecnológicas que atravessariam o cinema nos 50 anos seguintes. Entretanto, em termos estéticos, o movimento que se criou em torno da Semana do Cinema Brasileiro, que mais tarde viria a ser o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, foi definidor para o futuro do audiovisual nacional: um festival político, lançador de tendências e capaz de acompanhar as transformações nas formas de se ver e fazer cinema. 

Em 2021 chegamos à 54ª edição deste, que é o mais longevo festival de cinema do Brasil. Realizado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec) em parceria com a Associação Amigos do Futuro entre os dias 7 e 14 de dezembro de 2021, o Festival exibe seus títulos virtualmente, tal como em 2020, em função dos riscos da pandemia de Covid-19. Sob o tema “O cinema do futuro e o futuro do cinema”, a maratona de filmes, debates, masterclasses, oficinas, encontros setoriais e ambiente de mercado, tem curadoria de Sílvio Tendler e Tânia Montoro.

 A dupla traz ao projeto uma curadoria afetiva e política, preocupada em pensar o lugar do cinema no futuro posto. Sílvio e Tânia são os responsáveis pelo tema e a estruturação criativa de todas as atividades do Festival. Já nas Mostras Competitivas, como de praxe, os curadores contam com apoio de comissões de seleção que dão conta do grande volume de obras inscritas. 

Dentre os 985 filmes inscritos, foram selecionados seis longas e 12 curtas para pleitear os troféus Candangos na Mostra Competitiva Nacional, além de quatro curtas e oito longas para concorrerem na Mostra Brasília. A comissão de seleção dos longas nacionais foi composta por Lino Meireles, Luiz Carlos Merten, Sandra Kogut, Nicole Puzzi e Pedro Caribé. Já os curtas nacionais foram selecionados por Adriana Vasconcelos, André Luís da Cunha, Flávia Barbalho, Paula Sacchetta e Paulinho Sacramento. A Mostra Brasília contou com Flavia Guerra, Maíra Carvalho e Marcelo Emanuel dos Santos na comissão de seleção.

Segundo o secretário Bartolomeu Rodrigues. “O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro sempre, em sua natureza, foi um espaço para o diálogo com o que está por vir. Daqui, nasceram linguagens, estéticas e debates políticos que construíram a identidade do novo cinema brasileiro. Essa edição nasce histórica porque vai pautar esse mundo pós-pandemia. Nada será como antes, e essas tendências serão examinadas nos dias de festival”.

Os filmes da 54ª edição

A seleção de longas da Mostra Competitiva traz quatro ficções e dois documentários da Bahia, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Alice dos Anjos (BA), de Daniel Leite Almeida, leva as fantasias de “Alice no país das maravilhas” à paisagem do sertão baiano; Lavra (MG), de Lucas Bambozzi, expõe as feridas da devastação ambiental percorrendo os caminhos da lama tóxica e criminosa que devasta cidades inteiras; Acaso (DF), de Luis Jungmann Girafa, traz o estilo on the road à famosa via W3 de Brasília, celebrando a casualidade das grandes cidades. 

Ela e eu (SP), de Gustavo Rosa de Moura, fala sobre a adaptabilidade do ser humano a eventos inesperados, tendo Andrea Beltrão como protagonista; De onde viemos, para onde vamos (GO), de Rochane Torres, registra tradição e modernidade no dia-a-dia do povo indígena Iny; e Saudade do Futuro (RJ), de Anna Azevedo, é uma ode à saudade – palavra tão característica da língua portuguesa – filmada entre Brasil, Cabo Verde e Portugal. 

Entre os curtas nacionais, figuram cinco obras de São Paulo, duas do Distrito Federal, sendo as demais produções da Paraíba, Amazonas, Paraná, Rio Grande do Sul e Pernambuco, sendo nove ficções e três documentários. Ocupagem (SP), de Joel Pizzini, retrata o encontro do escritor Julián Funks com as líderes do movimento sem-teto Carmem Silva e Preta Ferreira; Terra Nova (AM), é uma ficção sobre uma atriz de teatro solicitando seu auxílio emergencial; Filhos da Periferia (DF), de Arthur Gonzaga, debate juventude e violência em contextos periféricos.

Chão de Fábrica (SP), de Nika Kopko, é uma produção 100% feminina que retrata o cotidiano de quatro operárias em seu convívio no banheiro feminino; Deus me Livre (PR), de  Carlos Henrique de Oliveira e Luis Ansorena, retrata a dura vida de coveiros no cemitério Vila Formosa – que mais enterrou vítimas de Covid-19 no Brasil; Adão, Eva e o Fruto Proibido (PB), de R.B. Lima marca o reencontro de uma mulher trans e seu filho adolescente, separados no nascimento. 

Como respirar fora d’água (SP), de Júlia Fávero e Victoria Negreiros, reflete sobre conflitos no convívio de uma jovem negra e lésbica com a polícia militar, dentro e fora de casa; Cantareira (SP), de Rodrigo Ribeyro, expõe os paradoxos da metrópole e natureza; Sayonara (SP), de Chris Tex, trata de traumas violentos e vingança; Era uma vez… Uma princesa (RS), de Lisiane Cohen, sai em busca de sentidos diante da ausência de vida numa relação familiar; e Da boca da noite à barra do dia (PE), de Tiago Delácio, documenta a tradição do cavalo marinho na Zona da Mata Pernambucana. 

Os títulos da Mostra Brasília revelam uma produção local incessante, com jovens e veteranos realizadores concorrendo. Na abertura da Mostra – e em homenagem a Tânia Quaresma, cineasta que nos deixou em julho deste ano – o público assiste a Caçadores de História (2016), documentário que retrata a realidade das catadoras e catadores de materiais recicláveis do Brasil. Entre os longas selecionados para a mostra local, estão: o documentário 0 Mestre da Cena, de João Inácio; e as ficções: Acaso, de Luis Jungmann Girafa  (selecionado também para a mostra nacional); Noctiluzes, de Jimi Figueiredo e Sérgio Sartório; e Advento de Maria, de Vinícius Machado.

Entre os curtas que competem na Mostra Brasília estão quatro ficções e quatro documentários, sendo eles: Tempo de Derruba, de Gabriela Daldegan; Tinhosa, de Rafael Cardim Bernardes; Filhos da Periferia, de Arthur Gonzaga (selecionado também para a mostra nacional); Cavalo Marinho, de Gustavo Serrate; Benevolentes, de Thiago Nunes; Ele tem saudade, de João Campos; A Casa do Caminho, de Renan Montenegro; e Vírus, de Larissa Mauro e Joy Ballard. 

Como assistir e votar?
As mostras competitivas do Festival de Brasília exibirão 28 títulos, entre curtas e longas, em plataforma na web e em canal por assinatura. O público assiste a todos os filmes do Festival gratuitamente na plataforma InnSaei.TV e também confere os longas da mostra competitiva nacional no Canal Brasil. A cada dia, o Canal Brasil lança um longa da Mostra Competitiva às 23h30. Logo na sequência, à 01h30 da manhã, o mesmo longa estreia na plataforma InnSaei.TV, ficando disponível até às 23h29 do mesmo dia.

Os curtas da Mostra Competitiva, bem como os filmes da Mostra Brasília e mostras paralelas estarão disponíveis exclusivamente pela plataforma InnSaei.TV (horários a consultar no site do festival). Vale ressaltar que as votações do Júri Popular estarão disponíveis exclusivamente na plataforma InnSaei.TV. O campo de votação aparece como pop-up logo após a exibição do filme na íntegra. Visite a programação no site do Festival para ter acesso a exibição de todos os filmes. 

Homenagens

Como é de praxe, o Festival de Brasília homenageia seus veteranos na noite de abertura. Ainda sem filme de estreia revelado, já sabe-se a quem se dedica a edição 54° Festival. Esta edição oferece um troféu Candango especial pelo reconhecimento da obra de Léa Garcia, atriz carioca fundamental para o teatro e cinema brasileiros, em seus 88 anos de idade e 70 de carreira. O Festival homenageia também a professora Lucília Marquez e os atores Lauro Montana, Luiz Gustavo, Tarcísio Meira, Paulo José e Paulo Gustavo. 

Inscrições para oficinas abertas somente até o dia 21
O Festival de Brasília já divulgou as oficinas desta edição. Com inscrições abertas até 21 de novembro, cada atividade tem 40 vagas e seus temas vão da modelagem para games e animação, a atividades ligadas a roteiro e finalização. Entre os convidados estão, Kevin MacDonald, idealizador e diretor de Life in a day (2020), Whitney (2018) e O último rei da Escócia (2006); Cavi Borges, experiente realizador carioca; Fabiana Mota e Fabiano, o Silva, especialistas em modelagem para animação; o roteirista e diretor de séries Marton Olympio; e a diretora criativa em novas mídias e cofundadora da SuperUber, Liana Brazil, dentre outros. Confira todas as oficinas disponíveis e inscreva-se gratuitamente aqui: https://festcinebrasilia.com.br/oficinas/

CONHEÇA OS TÍTULOS SELECIONADOS:

MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL – LONGAS
(por ordem de exibição)

ALICE DOS ANJOS (BA) – Direção: Daniel Leite Almeida
LAVRA (MG) – Direção: Lucas Bambozzi
ACASO (DF) – Direção: Luis Jungmann Girafa
ELA E EU (SP) – Direção: Gustavo Rosa de Moura
DE ONDE VIEMOS, PARA ONDE VAMOS (GO) – Direção: Rochane Torres
SAUDADE DO FUTURO (RJ) – Direção: Anna Azevedo

Comissão de seleção: Lino Meireles, Luiz Carlos Merten, Nicole Puzzi, Pedro Caribé e Sandra Kogut.

MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL – CURTAS
(por ordem de exibição)

OCUPAGEM (SP) – Direção: Joel Pizzini
TERRA NOVA (AM) – Direção: Diego Bauer
FILHOS DA PERIFERIA (DF) – Direção: Arthur Gonzaga
CHÃO DE FÁBRICA (SP) – Direção: Nina Kopko
DEUS ME LIVRE (PR) – Direção: Carlos Henrique de Oliveira e Luis Ansorena
ADÃO, EVA E O FRUTO PROIBIDO (PB) – Direção: R.B. Lima
COMO RESPIRAR FORA D’ÁGUA (SP) – Direção: Júlia Fávero e Victoria Negreiros
CANTAREIRA (SP) – Direção: Rodrigo Ribeyro
SAYONARA (SP) – Direção: Chris Tex
N.F. TRADE (DF) – Direção: Thiago Foresti
ERA UMA VEZ… UMA PRINCESA (RS) – Direção: Lisiane Cohen
DA BOCA DA NOITE À BARRA DO DIA (PE) – Direção: Tiago Delácio

Comissão de Seleção: Adriana Vasconcelos, André Luís da Cunha, Flávia Barbalho, Paula Sacchetta e Paulinho Sacramento

MOSTRA BRASÍLIA
(por ordem de exibição)

FILME DE ABERTURA
CATADORES DE HISTÓRIA – Direção: Tânia Quaresma

LONGAS
O MESTRE DA CENA (DF) – Direção: João Inácio
ACASO (DF) – Direção: Luis Jungmann Girafa
NOCTILUZES (DF) – Direção: Jimi Figueiredo e Sérgio Sartório
ADVENTO DE MARIA (DF) – Direção: Vinícius Machado

CURTAS
TEMPO DE DERRUBA (DF) – Direção: Gabriela Daldegan
TINHOSA (DF) – Direção: Rafael Cardim Bernardes
FILHOS DA PERIFERIA (DF) – Direção: Arthur Gonzaga
CAVALO MARINHO (DF) – Direção: Gustavo Serrate
BENEVOLENTES (DF) – Direção: Thiago Nunes
ELE TEM SAUDADE (DF) – Direção: João Campos
A CASA DO CAMINHO (DF) – Direção: Renan Montenegro
VÍRUS (DF) – Direção: Larissa Mauro e Joy Ballard

Comissão de Seleção: Flavia Guerra, Maíra Carvalho e Marcelo Emanuel dos Santos.

Serviço – 54ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

  • 7 a 14 de dezembro de 2021
  • Programação gratuita
  • Exibições online e na TV
  • Programação completa e classificações indicativas em www.festcinebrasilia.com.br
  • Assista a todos os filmes do Festival na InnSaei.tv
  • Assista os longas da Mostra Competitiva no Canal Brasil: disponível nos planos de TV por assinatura Oi TV canal 66, Sky TV canal 113 ou 513, Claro TV canal 150 ou 650, Vivo TV canal 566, 806 ou 103.

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